Brasil pode ser o maior exportador do Ocidente

 

A frase acima é do vice-presidente de Relações internacionais do Centro Tecnológico do couro e do Calçado, Enio Klein. Ele foi palestrante do painel Futuro do Setor Calçadista, apresentado dia 24 de agosto, em Gramado/RS, no primeiro dia do Salão Internacional do Couro e do Calçado. Klein justifica sua opinião ao apontar que o Brasil vai assumir a liderança na produção de calçados, substituindo a Itália como maior exportador do Ocidente na próxima década. Atualmente, os italianos ocupam o quarto lugar no ranking mundial dos exportadores, atrás da China, Hong Kong e Vietnã. 

 

Para chegar a esta conclusão, o palestrante buscou informações sobre a trajetória do calçado brasileiro, desde a década de 50, traçando paralelos que chamou de Novos e Velhos Paradigmas. Naquele período – 1950 a 1970 – o parque fabril passou por uma reestruturação, consolidando-se como fornecedor do mercado interno e ampliando sua produção com a formação dos pólos calçadistas do Vale do Sinos, no Rio Grande do Sul e de Franca, interior de São Paulo. Foi nesta fase que surgiram as primeiras marcas nacionais. Nos três anos seguintes, com a ajuda de benefícios fiscais e a produção em série, que o setor obteve um espetacular crescimento.

 

Revolução silenciosa - Já os anos de 1994 a 2003 são considerados por Enio Klein como Década Perdida, pois o setor vivenciou o fechamento de mais de 150 fábricas. Mas justamente neste período de crise que iniciou, segundo palavras de Klein, a revolução silenciosa, que fez com que os empresários partissem para um reposicionamento estratégico, lançando-se na busca de novos mercados.

 

Klein salienta que para conquistar estes compradores, o Brasil tem fatores importantes a seu favor, como o conhecimento profundo do mercado interno. “Não adianta atender o mercado internacional sem ter know how”, afirmou. Por isto, disse, que as empresas que hoje fazem sucesso no exterior são as mesmas que atuam há muitos anos dentro do Brasil.

 

E para a conquista efetiva, deve haver uma ordem de batalhas: primeiro a América Latina, Europa, países árabes e, somente então, os Estados Unidos. E para a guerra ser ganha, o Brasil já deverá ter dominado itens como desgin, marca e marketing e principalmente, estabelecer seus próprios canais de distribuição. “Quem liderar estes canais, lidera o mercado”, disse.
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